
II - Os três segredos de Fátima
Em julho de 1917, Nossa Senhora revelou aos três pequenos pastores, a quem aparecia pela terceira vez, três segredos que, em seu conjunto, constituíam a mensagem de Fátima. Esta mensagem de Nossa Senhora seguia o seguinte esquema:
1. Deus estava muito ofendido pelos pecados do mundo moderno
2. Por isso, exigia penitência.
3. Caso ela não fosse feita, viria um castigo.
No primeiro segredo, Nossa Senhora mostrou aos três pastorinhos de Aljustrel "o inferno para onde vão os pecadores", e explicou-lhes que foram os pecados dos homens que provocaram o castigo da I Guerra Mundial (1914-1917).
"Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados em esse fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe lá do céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o céu (na primeira aparição). Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor. Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza: 'Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.'"
O segundo segredo: "A guerra vai acabar, mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz."
Até aqui, os dois primeiros segredos, tais quais foram redigidos por Irmã Lúcia e tais quais foram agora publicados pelo Vaticano.
O primeiro segredo tratava da Primeira Guerra Mundial como castigo pelos pecados do mundo. Nossa Senhora anunciava que esse primeiro castigo logo iria acabar, e pedia que se rezasse muito pela conversão dos pecadores, e que se fizesse penitência. Portanto, este primeiro segredo tratava das almas.
Ao anunciar aos três pastorinhos que a I Guerra Mundial logo ia acabar, Nossa Senhora preveniu que, se não houvesse emenda dos pecados, outra guerra ainda pior castigaria o mundo, "no tempo do Papa Pio XI". Esse castigo seria precedido por "uma grande luz que iluminaria o céu".
Esse castigo veio. Portanto, não houve a emenda pedida.
A seguir, Nossa Senhora previa que "a Rússia espalharia seus erros pelo mundo" - e a Revolução Comunista na Rússia só ia acontecer em novembro de 1917, alguns meses depois da revelação de julho de 1917. Dizia ainda Nossa Senhora que, nessa II Guerra Mundial, "várias nações seriam aniquiladas", "os bons seria martirizados", "o Santo Padre teria muito que sofrer". O comunismo na Rússia e o espalhar dos erros comunistas pelo mundo ocorreram. Houve perseguições à Igreja, e os bons foram martirizados em todos os países comunistas. Só a frase "o Santo Padre terá muito que sofrer" parece exigir uma interpretação maior, porque nenhum dos Papas do século XX teve grandes sofrimentos. Só o tiro de Agca foi uma exceção, mas quão pequena se comparada com os demais sofrimentos preditos!
O segundo segredo, então, tratava das nações.
Para impedir que os castigos prosseguissem, Nossa Senhora pedia:
1. Que o Papa - junto com todos os Bispos do mundo - consagrasse nominalmente a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, coisa que até hoje nunca foi feita nos termos em que Nossa Senhora pediu.
2. Pedia ainda, de novo, penitência e oração, assim como o estabelecimento da devoção ao Imaculado Coração de Maria, e a comunhão reparadora nos primeiros sábados.
Claro que, se os pedidos de Nossa Senhora não fossem atendidos, haveria novo castigo e, desta vez, ao que parece por certos detalhes, atingindo diretamente o clero, e mesmo o Papa.
Jacinta via um Papa rezando e sendo apedrejado numa casa muito grande e, quando perguntou à Lúcia se podia contar isso e falar de uma multidão faminta e massacrada por estradas, Lúcia a proibiu, porque isso "fazia parte do segredo" e, sabendo desse detalhe, "ficaria fácil descobrir o segredo". Ora, estranhamente, como veremos, estes detalhes não aparecem no texto agora publicado. Por quê?
Conhecia-se ainda uma conclusão, que, exatamente por ser conclusão, supunha-se com toda a lógica que ela viria no final da mensagem, isto é, após o terceiro segredo, ora revelado: "Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz."
E, numa quarta redação da mensagem de Fátima, a Irmã Lúcia escreveu uma frase elucidativa: "O dogma da Fé se manterá sempre em Portugal, etc." O que faz supor - evidentemente! - que o dogma da Fé não se manteria em outros países. Portugal seria uma exceção. Ora, aparentemente, nada na visão publicada fala de uma crise da Fé em nenhum país. Por quê?
Se o primeiro segredo tratava das pessoas e o segundo tratava das nações, era lógico, pela progressão estabelecida, que o terceiro segredo deveria tratar da Igreja. Claro que não dos pecados da Igreja, porque a Igreja é Santa e não pode cometer pecados, e sim dos pecados que se cometem na Igreja, isto é, especialmente dos pecados do clero. Pecados do clero que, hoje, os membros do clero costumam transferir para a Igreja, esquecendo-se de que Ela é imaculada e impoluta. E essa transferência de culpa do clero para a Igreja é um dos grandes pecados atuais. Ora, a visão que consta do terceiro segredo, e que agora foi publicada, mostra exatamente uma cena trágica a respeito de um Papa, e da Igreja martirizada. Por quê?
Agora, o Vaticano acaba de publicar a seguinte versão do terceiro "segredo" de Fátima, redigida pela Irmã Lúcia. No texto aparecem estranhas aspas que indicariam que ela copiou algumas frases de uma outra versão, não publicada. (Colocaremos essas aspas sempre em negrito, para salientá-las.) "Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro.
O anjo, apontando com a mão direita para terra, com voz forte disse: 'Penitência, Penitência, Penitência!'
E vimos numa luz imensa que é Deus: "algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante" um Bispo vestido de branco "tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre".
Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meio em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegando ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros de armas de fogo e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás aos outros os bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições.
Sob os dois braços da cruz estavam dois anjos, cada um segurando um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus. Tuy, 3-1-1944. [Não há nenhuma assinatura no documento publicado pelo Vaticano!!!]"
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